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Verbos de Comando para a Segunda Etapa do Vestibular UFMG Primavera Árabe Uma semana antes do Natal de 2010, o jovem vendedor de vegetais Mohamed Bouazizi ateou fogo a si próprio publicamente após de ter sua mercadoria confiscada pela polícia. Esse fogo, que começou na Tunísia, se alastrou por países no norte da África e Oriente Médio. Derrubou o tunisiano Zine El Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro de 2011, e o egípcio Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro. Levou milhares às ruas em grandes protestos nesses dois países e na Argélia, Líbia, Jordânia, Síria, Arábia Saudita, Iêmen, Omã, Bahrein, Iraque, Kuwai, Líbano, Marrocos e Sudão. Gerou a intervenção militar da OTAN na Líbia. E fez o mundo pensar: "O que está acontecendo e aonde isso vai levar?", afetando o destino dessas 300 milhões e das outras seis bilhões de pessoas no planeta. É óbvio que não foi ação de um indivíduo único. O combustível para a chamada Primavera Árabe se arrasta há décadas: o esgotamento dos modelos centralizadores e antidemocráticos dos governos lá predominantes, o descontentamento da juventude com o autoritarismo, corrupção, falta de oportunidades econômicas e políticas e a reivindicação do fim da monopolização de grandes setores da economia por uma elite. O movimento tem a intenção de não ser violento, de falar em nome da democracia e do pluralismo e de não usar a ideologia para disfarçar divisões sociais. Aproveitou das mídias sociais para mobilizar a população. O caráter de tal comunicação interligada e praticamente instantânea consistiu em um poderoso instrumento de coesão da população manifestante. Os milhares de jovens envolvidos tornaram, assim, os movimentos sociais e políticos viáveis e visíveis ao mundo inteiro. Muito provavelmente, se ocorrido anos atrás, os acontecimentos não teriam sidos informados com tamanha eficiência ou, pior, muitos teriam sido mortos antes mesmo do mundo saber dos levantes. Essa região do globo possui um histórico político extremamente conturbado. O termo "Primavera Árabe" foi cunhado pela primeira vez em março de 2005, quando vários comentadores da mídia sugeriam que a invasão do Iraque pelos EUA poderia gerar o florescimento de democracias do Oriente Médio. Agora, o termo tomou um outro significado, com as insurgências pró-democracia no mundo árabe. Ao que tudo indica, os países passam por uma mudança não só na área política, como também na esfera cultural. Nos últimos meses, temos acompanhado uma série de fatos que parecem constituir uma verdadeira transição, com diversas consequências. É provável que o movimento fortaleça a posição regional e internacional dos países em que tiver êxito, com governos mais legítimos. Além disso, um dos resultados pode ser o aumento da força de um nacionalismo - ou de um "arabismo", não centrado em questões religiosas, mas que passa por cima das divisões sociais e ideológicas do povo. As relações internacionais também tendem a sofrer reposicionamentos. Questões mais profundas envolvem todos esses acontecimentos, e é isso que essa reportagem pretende, em parte, explorar, com base nas entrevistas que realizamos e em pesquisas externas. De qualquer modo, o pavio chegou ao fim e as revoltas explodiram. Por outro lado há uma outra revolução no mundo árabe e no mundo islâmico como um todo. Os árabes nunca deram muita bola para a palavra "democracia", esta invenção ocidental, em parte porque o islamismo estabelece várias regras de convívio social e muitos muçulmanos sempre acharam que isso era suficiente. Mas tanto nas revoltas populares do primeiro semestre quanto em eventos mais recentes, como no Kuwait, você escuta esta palavra mágica - democracia - sendo proferida. Isto não quer dizer respeito à minorias ou na idéia de império da lei, mas sim na idéia de que um governo tem que responder ao povo. Por mais que isso não signifique que esses países adotem democracias fortes ou mesmo democracias representativas isso quer dizer que do Marrocos à Arábia Saudita mesmo os reis e ditadores da região sofrerão cada vez mais pressão para atender as demandas da população. Este é o grande significa da chamada "Primavera Árabe" e isto não pode ser ignorado. Isto vai significar governos menos propensos a apoiar Israel, por exemplo, que perdeu dois de seus maiores aliados no mundo muçulmano - Egito e Turquia - numa tacada só. A UFMG E O ENEM Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Após o susto inicial sobre a substituição da Primeira Etapa do Vestibular da UFMG pelo Enem segue o momento de reflexão sobre os pontos negativos e positivos desta decisão. A meu ver o primeiro ponto negativo foi o momento em que houve a decisão pela adoção do Enem. Os alunos do terceiro ano do segundo grau e dos cursinhos preparatórios para a UFMG já tinham começado as aulas, as apostilas dos cursinhos já estavam prontas e direcionadas para questões feitas pela própria UFMG, os professores davam aulas enfatizando os aspectos que a UFMG normalmente utilizava em suas questões fechadas. É como se houvesse mudanças de regras com o jogo já iniciado. Isso deixou a todos um tanto assustados. O segundo ponto negativo foi a questão dos livros de literatura serem abolidos para a grande maioria dos vestibulandos. Só farão provas de literatura na segunda etapa vestibulandos do curso de Comunicação, Letras, Dança e Teatro. Acredito que os aluno precisam ler, pois, creio na máxima que “quem não lê, mal fala, mal ouve e mal vê”. No entanto, se nos dão limão é preciso fazer uma limonada. Em suma, se faz necessário nos concentramos em pontos positivos desta medida. O novo Enem coloca de forma clara que, ao fim do ensino básico, os jovens brasileiros devem dominar quatro competências cognitivas fundamentais para sua participação crítica na sociedade. Esta decisão está alinhada com a reflexão usada em vários outros países do mundo, como aqueles que aderiram ao Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). O novo Enem, ao sinalizar que o cidadão precisa de conhecimentos úteis para a sua vida, pode influenciar muito a forma como o ensino básico é organizado. Isto é uma necessidade. Baseado em metodologia criteriosa, o Enem avalia se o jovem é capaz de compreender fenômenos naturais e sociais; solucionar problemas simples e complexos; organizar informações e conhecimentos em situações concretas, para a construção de argumentações consistentes e a elaborar propostas de intervenção na realidade. A concepção do Enem está mais próxima da reforma do ensino médio e das tendências internacionais, que destacam a importância da formação geral na educação básica. O interessante é que as tendências do Enem tem sido avaliar se o candidato é capaz de: formular interpretação adequada do texto; localizar informações; relacionar idéias, identificar aspectos de intertextualidades e interdisciplinaridades. Ou seja, é avaliada a capacidade de ler um texto e manifestar um ponto de vista sobre ele. As orientações que seguem abaixo são simples e funcionais: 01) No momento da avaliação, reserve um tempo para a leitura atenciosa dos enunciados. Na maioria das vezes, a questão já evidencia qual o melhor caminho para uma resposta. 02) Lembre-se de que todas as alternativas devem ser lidas, ainda que você tenha certeza de que uma das primeiras é a correta. 03) Quando a questão apresentar mais de um texto, leia-os destacando trechos que, segundo seu ponto de vista, possam ajudá-lo na resolução da questão proposta. Enfim... Resta-nos torcer para dar certo, para democratizar a universidade e para que não haja vazamento como ocorreu em 2009. |